8.
Ana Paula.
Quero ser índio, me exilar na mata, irmã dos bichos e de tudo. Minha beleza é, ao mesmo tempo, minha inimiga, atraio meus inimigos pelos olhos – sem que eles saibam. Se cruzo os braços e sorrio, tornam-me objeto, não querem ouvir a minha voz, me querem nua, apenas, em uma cama larga, lençol cheirando a amaciante. Pinto na tela meus traços, deformo meu rosto com o pincel, e assim me amo, como creio jamais ter sido amada. Sou bela, enquanto tudo ao meu redor rui silenciosamente.

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