02.
Agora trabalho para Zurzo. Não atendi ao telefone, mas – me pergunto como – sei tudo o que é para ser feito. Serei sua pintora, ou melhor, a pintora de suas mortes. Sim, eu sou pintora. Onde está o telefone que agora a pouco tocava? Concordo com Zurzo, para morrer é necessário existir, e, sendo a morte a condição que põe termo à vida, nada mais justo que pintar o corpo prestes à putrefação, imortalizando-o na tela, dando-lhe status de obra-prima, e a seu autor, o assassino, a remissão dos pecados e a elevação da alma.
03.
O Intérieur (Le Viol) do francês Edgar Degas será a inspiração para o primeiro trabalho.

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