Começo por achar tudo muito estranho: o telefone está tocando. Eu nunca tive telefone em casa. Outra coisa: de quem é esta roupa que visto? Tampouco este é o meu penteado. O meu próprio nome me parece uma imposição, e eu não me lembro do que fazia, do que via e sentia dez segundos atrás quando proferi a primeira letra, C.
Sei que o telefone irá tocar e uma voz irá me dizer seu nome, “sou o Zurzo”, a voz não me parecerá estranha, “tenho um trabalho para você”, “desde quando faço trabalhos?” irei perguntar, ao que ele irá me responder “desde agora”, com uma convicção, uma brutalidade na voz gutural, não terei outra opção “está bem”.

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