quinta-feira, 6 de maio de 2010

O LIVRO DE ANA PAULA

01.
Começo por achar tudo muito estranho: o telefone está tocando. Eu nunca tive telefone em casa. Outra coisa: de quem é esta roupa que visto? Tampouco este é o meu penteado. O meu próprio nome me parece uma imposição, e eu não me lembro do que fazia, do que via e sentia dez segundos atrás quando proferi a primeira letra, C.
Sei que o telefone irá tocar e uma voz irá me dizer seu nome, “sou o Zurzo”, a voz não me parecerá estranha, “tenho um trabalho para você”, “desde quando faço trabalhos?” irei perguntar, ao que ele irá me responder “desde agora”, com uma convicção, uma brutalidade na voz gutural, não terei outra opção “está bem”. 

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VOYEUR

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Bacharel em direito pela Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES) - MG. "Um sujeito preguiçoso e frio, algo quimérico, ravoável no fundo, que malandramente construiu para si próprio uma felicidade medíocre e sólida feita de inércia e que ele justifica de quando em vez mediante reflexões elevadas. Não é isso que sou?" A Idade da Razão - Jean-Paul Sartre.

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